terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

você e sua imagem distorcida pelas garrafas de vidro verde

Tudo o que eu queria ver está bem na minha frente. Ele falou. Você. Um tanto pálida. Um tanto rosada. De vinho. De álcool. O cabelo levemente despenteado. Esse sorriso amortecido. Essa mesa de madeira já gasta. Essa toalha manchada de alegria. Esse sobrado de esquina de bairro paulistano tradicional em que nos encontrávamos alojados naqueles dias de quase outono em que não tínhamos tantos problemas pra pensar. Naquele fim de noite. Essa sensação sonolenta que me dá vontade de não dormir nunca mais nessa vida e ficar do seu lado. Olhando esses seus olhos que sorriem para os meus. Meio sem querer. Mas é tão bom que eu só saberei o quanto depois que isso terminar. Por isso você. Pegue a câmera e tire uma fotografia de nós dois. Uma fotografia pra sempre. Pra amarelar o papel e não a memória.

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