quinta-feira, 3 de março de 2011

elisa

Hoje não tem problema. Elisa disse para si. Já nem sabia mais exatamente há quantos dias não escutava aquela música. Eu bem que tentei. Tentou mesmo. Mas isso não é de hoje. E bem que arriscou o amor de outras pessoas. Substituir. Não deu certo. Nunca dá. Elisa não tem forças para tentar correr atrás. Pra seguir em frente muito menos. Arranjou um gatinho de estimação. Comprou roupas novas. Tem um amante. Mas tem aquele velho disco guardado ainda. Não com o resto de sua coleção. Ela bem que tem consciência do vício. Mas o que se conversa com o amante? Mas o que se faz numa segunda-feira chuvosa? É tão normal...cair.

Lê, faz o gato dormir, dá comida para os peixes, prepara um café. Mas ele não está lá. Não está pensando nela e nem vai pensar. E ela sabe. E ela tentou. E a cortina da sala se movimenta com o vento de uma forma tão triste que dá vontade de chorar. Ao mesmo tempo que ela te chama pra ficar ali, encostada por horas com sua xícara olhando lá de cima a cidade adormecer. Ela nunca adormece. Elisa nunca adormece. Mesmo sendo viciada em café. Ela tem um vício muito pior. Ela tem uma memória. Ela ainda tem aquele disco.

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