quinta-feira, 10 de março de 2011

medo infantil de adulto

Não há nada pior que acordar cedo. Oh Deus! Ainda é quarta-feira. Ainda são seis da manhã e você tem que estar de pé, você, ser anônimo como todos os outros que tem a obrigação de acordar cedo toda a vida. O cheiro do café, o barulho do espremedor de laranjas, causa um barulho em seu estômago, que na verdade parece estar sendo espremido também. Olha só, já não pensa nem o que irá vestir. Ninguém se importa mesmo. A vida é tão sem graça que dá vontade de chorar.

E saber que chorar é a única coisa que pode fazer. Depois respira fundo e abre a porta pra rua. Sem olhar pra cara de ninguém. O mundo não sorri. O mundo também chora, é maior e mais velho que você, mas consegue ser discreto. Você, com essa cara barbuda, e ainda com medo de dias cinzentos. Nessa cidade, toda manhã é cinza e você nunca tentou se acostumar. Nunca parou para pensar que todos ao seu lado no ônibus também andam de saco cheio.

Mas te entendo. Parece que é só você que acorda e se vê abraçado com o travesseiro de tanto medo do dia comum.

No fim, ninguém cresce o suficiente para abandonar os medos que nos acompanham desde a infância.

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