sexta-feira, 1 de abril de 2011

penúltimo banco à direita

Demorou poucas semanas pra eu notar. Umas duas, três. Era toda quinta-feira. Eu chegava em casa e minha esposa já estava dormindo. Eu, que depois de velho resolvi fazer finalmente o meu mestrado. Antes de chegar em casa e abrir o portão, com cuidado pro cachorro não latir e acordar todo mundo, eu a encontrava no ônibus. Quer dizer. Não nos encontrávamos. Eu a via. Ela sempre estava lá, lendo uns maços de papéis e sublinhando com uma caneta azul o que lhe interessava, ou era de importância, não sei. O tema daqueles textos despertava em mim uma certa curiosidade. Acho que você estudava Direito. Ou trabalhava com algum advogado. Eu ficava sempre em sua direção, sempre em pé; você sempre sentada. Chegava antes. Lembro um dia que dividi o banco com você, o penúltimo, à direita. Foi tão desagradável. Me empurraram e eu fui parar ali, do seu lado e eu te atrapalhei, esbarrei, de certa forma em você e naqueles seus papéis que você não larga por nada. Eu pedi desculpas mas você não escutou.

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