sexta-feira, 28 de outubro de 2011

pouco de verão


As horas de verão no horário de verão se rastejam se num ambiente de inverno. Olho por cima da tela do computador. O quintal. O sol batendo nas folhas verdes. Acho lindo. Embora eu não entenda nada sobre plantas. A mesa de madeira ressacada. O cinzeiro sobre. É verão. Mas as horas aqui dentro, desse lado da janela, me dizem o contrário. Viro uma duas três xícaras de café e me animo. Mas o tempo fora do meu corpo não. E não ajuda. E eu só queria um pouco desse verão pra mim.

Eu quero o verão pra mim.

Um pouco de verão.

Pra mim.

E você passa de vestido de algodão. Estampa em cores quentes. Laranja. Amarelo. E os cabelos castanhos. Ondulados.

Que se movimentam com o pouco de vento que passa por aqui nesse horário de verão.

Se movimentam para mim longe de mim.

Eu quero ver o pôr do sol longe daqui.

domingo, 16 de outubro de 2011

ida

E naquele domingo de chuva que pode muito bem ser este, sim, porque domingo vai e volta, eu deixei apenas o abajur ligado para iluminar apenas as páginas da minha HQ favorita.

E num volume razoável tocava meu disco favorito do Belle and Sebastian. E então sintonizou-se a melancolia. Tão afinada. Tão precisa. Que me deu vontade de.

Apenas observar com ajuda da luz escassa os detalhes da tinta da parede que se descasca com a umidade. Dos lençóis amassados. Da cama desarrumada e convidativa.

Das roupas no chão.

Dos títulos dos livros que não terminei de ler.

Se instalar por aqui para sempre não seria má ideia.

Aqui as horas não passam.

Como no domingo passado.

Domingo é o mesmo.

No domingo penso em tudo o que aconteceu no sábado. Mas sem vontade de voltar porque domingo não tem volta.

Se eu pudesse mergulhar nessa xícara de chá de morango.

sábado, 15 de outubro de 2011

são paulo

Minha cidade chove.
Chove e chove todo dia.
Mas ninguém fica em casa por.
E a gente escuta música triste porque combina mas é só por. Porque chove. Porque combina. Mas ninguém chora. Todos chovem.
Quem chora é quem olha da janela.