terça-feira, 22 de novembro de 2011

quase sem vento

Não sinto vontade de dormir nas noites de verão. Uso pouca roupa e deixo a janela aberta.

Você poderia reduzir esse pouco ao nada. Penso.

Então abandono meu livro, lavo o rosto e tomo uma taça de vinho branco gelado. E tento sonhar com algo enquanto meus olhos abertos observam o céu estrelado.

suas pernas

Gosto da luz baixa que ilumina suas pernas nuas. Gosto da sombra. Do contraste. Nem as toco; só para manter essa luminosidade intacta.

Na parede vejo também a sombra de sua mão esquerda que escreve no caderno que se apóia em suas pernas. Então volto a elas. São lindas.

Fixo meus olhos por mais alguns minutos somente na sua pele.

E desligo o abajur.

novembro

Com a cabeça encostada na janela da van e com os olhos semi cerrados eu, de ouvidos semi atentos vou com vocês pelo asfalto escutando músicas FM.

E eu não quero que isso acabe nunca...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

observei com a ajuda de um binóculo a janela do quarto de pablo

Quando Pablo finalmente decidiu falar com Clara seus dedos não conseguiram discar o número do telefone.

Eles tremiam e não chegavam a completar o círculo.
Ele perdeu o número de tentativas e.

dezenove horas e alguns minutos


E o que devo fazer

se a única coisa que importa pra mim nessa vida é o recorte do telhado, dos galhos, das folhas, dos fio elétricos e suas linhas quase que exatas em que os pássaros pousam e o pôr-do-sol de encontro com a lua.

O que me importa é o encontro.
O desencontro.
Então não me acho
nesse pedaço
que encontrei.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

aquela montanha alcançava as nuvens

Você estava sem camisa com um cocar na cabeça; de mil cores.

As irmãs Casady aterrissaram no palco em cima de um corvo gigante.

O palco virou um lago e eu pude ver cavalos marinhos;de mil cores.

CocoRosie. Dinossauros. Chuva de estrelas. O arco-íris logo ali.

Como é que o corpo paralisa ao se emocionar?

Ele para e dança com você. Dança. Dança. Dança. Turn me on. E eu vou.