quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

vapor que antes água de chuva

Quase dezembro e a noite é quente.

Saio na rua com meu shorts velhos e o tênis surrado. Eu e ela e sua bicicleta. O asfalto tem cheiro de vapor. Vapor que antes água de chuva.

Eu vou inalando essa atmosfera enquanto remo o meu tubarão sobre rodas. A rua de frente à minha é perfeita ou quase. Tem mais cachorros que pessoas e luzes de natal que piscam e repiscam.

E na esquina, na casa da esquina está. O que os meus ouvidos procuraram o ano inteiro. O solo do saxofone misterioso. Eu não conheço a melodia e a acho tão.

Ela até senta na calçada para descansar e escutar a música com mais atenção.

A gente escuta melhor de olhos fechados.

Eu continuo remando lentamente sobre o asfalto negro como o céu; que está tão limpo esta noite. Parece exalar mentol. Um sopro sobre nosso corpo frágil mas sempre cheio de expectativas.

Depois de muito voltamos para um sonho.

Nenhum comentário:

Postar um comentário