domingo, 8 de janeiro de 2012

o açougueiro

Todos os dias às nove e meia da manhã eu giro a chave para abrir o portão e sair de casa e caminhar até a estação. A primeira pessoa que vejo é ele, o açougueiro. Ele está sempre lá, encostado na parede da padaria da esquina, em frente a seu local de trabalho, o açougue. Ele usa botas brancas de borracha e um avental com manchas de sangue. Manchas de sangue o fazem parecer algo mais que. Na sua mão direita segura o cigarro-de-cada-dia. Ele inspira e suspira e suspira. Seu rosto nunca revela algo novo, ou segredo sequer. Barba por fazer; olhos quase tristes. Nove e meia é hora de soprar e suas recordações se vão com a fumaça de seu Marlboro vermelho. Fico pensando se ele pensa em mim também. Dessa maneira.

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