sábado, 17 de março de 2012

amores de padaria

Essa é uma crônica pequena. Ela dura pouco. Dura o tempo de você tomar um suco de açaí bem gelado no verão.

Essa pequena história de amor aconteceu na última segunda-feira do mês de; bom, em algum mês de verão. A segunda-feira mais quente de toda minha vida e o bairro era Moema. Eu não sentia fome, mas tinha uma hora livre para.

Então entrei na padaria que costumo frequentar. Para acompanhar meu livro pedi um suco de açaí.

Geralmente, quando tenho a oportunidade, escolho o lugar em que vou me sentar. Mas, dessa vez, que eu me lembre, devo apenas ter escolhido uma mesa distante da luz do sol.

Quando me sentei, demorei para tirar os olhos do cardápio e fazer o meu pedido. Quando finalmente ergui a cabeça, vi que na mesa à minha frente sentava-se uma mulher, de costas para mim. O que fez com que eu ficasse curioso, curioso suficiente para me dispersar de tudo à minha volta.

Afrouxei a gravata.

Ela vestia uma saia preta; blusa branca; tinha cabelos quase brancos de tão amarelos. Mas não vi seu rosto, nem o que ela estava comendo, lentamente; já que, da mesma forma que eu prestava atenção nela, ela prestava atenção no caderno de economia do jornal diário. Achei o máximo. Ela lia minuciosamente página por página, número por número – todos aqueles sinais que eu nunca hei de entender. Tomava um suco de abacaxi.

Não vi seu rosto. Nem terminei o meu livro.

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