domingo, 1 de abril de 2012

triste em seu domingo quase noite

Era uma monótona sala de domingo. Tarde quase noite, se bem me lembro. Eu vestia minha camisola e mexia nos discos dele. Meu consolo era uma deliciosa xícara de chá quente.
Mas o que eu escutava perfeitamente não era o som da orquestra regida pelo toca-discos, e sim o barulho dos dedos dele digitando com uma quase brutalidade, o teclado do computador.
 Eu não podia aumentar o volume da música, afinal, ele estava trabalhando e, se perdesse a concentração, demoraria ainda mais para acabar.
 Mas eu estava esperando isso acontecer desde sexta-feira; sim. Eu estava esperando por um drinque e uma conversa o final de semana inteiro, trancada naquele apartamento gigante e vazio. Tão vazio de calor que eu podia escutar o eco da minha voz e dos meus pensamentos.
 Eu podia ter virado uma garrafa de vodca no gargalo e pulado no terraço; podia ter tomado um belo banho e encontrado meus amigos; ter saído para jantar ou ido ao cinema sozinha.

Mas eu esperei até domingo quase noite por você antes de.

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