segunda-feira, 14 de maio de 2012

lâmpadas

Quando as lâmpadas da minha rua continuam acesas pela manhã é quando eu gosto de viver. A manhã é cinza mas as luzes amarelas. E não se confundem. O dia permanece escuro. Caminho até onde posso escutando Tom Waits. No ponto de ônibus está ela. Sua capa azul marinho úmida. Ela usa uma boina que me faz lembrar de meus antepassados russos. O cheiro de seu perfume é igual ao de uma fruta que nunca provei. Fruta vermelha.

O dia permanece escuro.

E a cidade fica ainda mais bonita quando estou voltando para casa ao som dos solos de saxofones, trompetes. Chet Baker é um dos que mais escuto, não tem jeito. E lá está ela novamente. A gente finge que não se vê e finge que não consegue sentar junto no banco do ônibus. Acho que é para prolongar a sensação. Mas um dia iremos, não tem jeito. E preparo meu chá preto e ascendo a lâmpada amarela da luminária e começo minha leitura. Penso em como foi meu dia. Relembro do seu jeito engraçado de virar o pescoço e sorrio. Um dia a gente vai sorrir.

Amanhã vou escutar Thelonious Monk.

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