domingo, 10 de junho de 2012

movimentos

No começo da noite daquela quarta-feira tudo já estava encaminhado: chamei o seu taxi, coloquei seus livros em cima da sua mala e separei algumas músicas para ouvir depois que você fosse embora. Tomei um banho longo com um sabonete novo e me sequei com uma toalha limpa, assim como o pijama que coloquei logo em seguida. Preparei meu chá de erva doce e me deitei para assistir a todos os seus últimos movimentos.

Você chegou em casa ofegante e tomou um banho rápido. Entrou no quarto de toalha futuro pano de chão, descalço, inundando o chão limpo. Sua barba estava por fazer e assim ficaria pelo menos até você ir embora. Puxou uma cadeira para perto da cama e, ainda molhado me encarou. Esse filme deve ter durado uns 37 segundos. Levantou, pegou suas roupas. Se enxugou rapidamente, vestiu uma cueca branca e voltou para a cadeira. Segurava um par de meias, meias vermelhas, as minhas favoritas. A única coisa que você fez lentamente naquela noite foi calçar aquelas meias. Cruzava uma perna e começava o processo. Esticava o tecido até não conseguir mais. Descruzava a perna e cruzava a outra ainda descalça e repetia os movimentos com o outro pé. Eu assistia atentamente ao ritual tomando meu chá. Depois você vestiu, dessa vez rapidamente, sua calça marrom de veludo cotelê. Meu chá acabou, ajeitei o travesseiro e me deitei e continuei assistindo. Você colocou os sapatos e a camisa, enfiou os livros na mala e beijou minha testa e fechou a porta com força. Levei um susto e virei meu rosto para o lado da parede.

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