segunda-feira, 9 de julho de 2012

dois ou um


Tudo deu errado naquela terça-feira em que eu engoli o choro de ira e fui ao parque com você, que já não queria mais falar comigo, assim como eu. Nisso concordávamos. Com o silêncio. Uma briga de gente sensata. Ou contida.

Fomos ao parque para ler somente. Sentamos sobre o gramado fresco quase frio, debaixo de árvores das quais, ignorante que sou não procurei saber a qual espécie pertenciam. Líamos e não tirávamos os olhos de nossas histórias. Mas não absorvemos nada. Fingidos, cínicos que somos. Orgulhosos que nunca dão braço a torcer. Minha vontade não era ficar olhando para as frases quebradas de Cortázar mas. Era de ir embora curtir minha tarde ensolarada sem você. Ou pelo menos escrever sobre minhas vontades. Mas aí você olharia pra mim com o canto dos olhos, soberbo, acreditando ser o objeto de meus rabiscos.

Então não me movi.

Não por mais um tempo, já que, com as pernas e pés formigando, tive de levantar para me alongar. E você, não sei por qual motivo se levantou também, guardando seu livro e o maço de cigarros.

Vamos para o museu.

Foi o que você quase ordenou e, eu, sem paciência alguma para diálogos, te acompanhei. Praguejei injustamente contra cada artista que estava exibindo seu trabalho naquelas paredes.

Depois te provoquei dizendo que gostaria de pintar um retrato seu em frente ao lago. Mas já estava escurecendo.

E voltamos para casa calados.

Nenhum comentário:

Postar um comentário