quarta-feira, 18 de julho de 2012

tic tac

Passavam-se os minutos e Murilo continuava com os olhos colados na folha em branco. Passavam-se as horas e seu café esfriava. Ele o requentava. Era um círculo de não ações que não parava de jeito nenhum.

Passavam-se os dias e seus olhos continuavam colados na folha em branco. Passavam-se os anos e o café gelado era re-re-re-re-re-re-re-re-re-re-re-requentado. Café sem gosto que poderia servir de tinta para pintar a folha em branco já que as palavras sumiram de vez de sua cabeça.

Passavam-se o tic e o tac sua barba se esparramara pela máquina de escrever, pelo chão, embaraçando ideias que jamais encontrariam o ponto final. Tec tec tec tec tec tec.

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