quinta-feira, 23 de agosto de 2012

o verão de 1994 foi prematuro mas acho que ernesto demorou até senti-lo e confessar

Palmeiras verdinhas e garrafas de vidro de guaraná. Móveis alaranjados e Jorge Ben na década de 70. É esse o instante que eu quero pra mim. Pés no mar. Ideias soltas no mar. E um vento que pedem para os meus olhos se fecharem. Tudo é leve e eu não vou voltar. Não tenho nada lá atrás. Eu só tenho o ar.
Só quero o mar.
É esse o gigante que habita em mim.

absoluto ou o antônimo de

A verdade é tão crua que não consegue se moldar em ficção. Ela é tão absurda que só pode ser ficção. Ela é tão falsa que só pode ser atuação. A linha que divide verdade e mentira já não existe.
-
-
-
Há um tempão.

no trilho aguardo o trem

Se não me movo nada move. Parece que tento quebrar inconscientemente essa regra.
Eu bem que quero me mover.
Mas já não sei o significado desse verbo. Não perdi minhas pernas, mas a memória talvez, já que não me lembro do dia em que estacionei meu corpo aqui.
Acho que foi sei querer.
E tenho criar palavras novas, aqui no meu canto. Meio que sabendo no que vai dar. No que não vai dar.
Nada se move aqui.
Meu raciocínio não consegue caminhar até o final da linha. Veja só. Já começo a me repetir. Ou não saí do começo.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

é verão quando não


Sobre a mesa o jornal e o suco de laranja.
Aquela janela as frestas de sol.
O vermelho distorcido em mil.
Só é verão quando a gente sabe que não.
O canudo branco com listras coloridas.
Sua camiseta de listras.
O amarelo.
O amarelo é bonito quando a gente sabe que não.
O cachorro embaixo da mesa.
Porque sabe que é verão.
Cachorro sabe quando.
O México ilustrado na parede.
Em pintura.
Em fotografia.
Imagem quase viva.
A luz bate e rebate.
Fogo no centro do céu.
Você liga o rádio.
Deixa a pia cheia de louças.
E percebe, quase que atrasado, mas não mais que eu.
Que é hora de sair.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012