segunda-feira, 17 de setembro de 2012

andar

Faz muito calor e é impossível ficar em casa e perder um sábado de sol, assim, de graça. Faz tempo que eu não encontro algum velho amigo para conversar e tomar cerveja e nada mais. Todos estão tão saturados uns dos outros que optamos sempre por deixar pra lá. Mas sair sozinho num sábado ensolarado é esteticamente incompatível, socialmente inaceitável. Mas chega uma hora em que é preciso abandonar os padrões. Esses que existem desde que o mundo é mundo e que todos nós, no fundo, sabemos o quão opressores são. Mas obedecemos porque ninguém quer ser inaceitável perante os outros. Mas cheguei numa idade que inaceitável é ver a vida passar com os olhos fixos na tela da televisão. Na televisão, na música e no cinema é tão bonito um ser sozinho porque no final ele não estará mais nessa condição. É bonito porque reverte. Mas ser só e somente. É o quê? Não preciso duma resposta e não preciso me ver numa tela para aceitar minha condição. Ninguém quer falar disso. Então eu acabo deixando pra lá, os convites, e não ligo para aqueles amigos que eu disse que não vejo há um tempão. Eu vou andar, vou olhar pra cima quando chegar no centro da cidade e apreciar o contorno dos prédios. Não olhar pro chão e para os objetos que me fazem tropeçar. A música já dizia que andar é reconhecer.

Olhar

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