segunda-feira, 26 de novembro de 2012

espuma

Aguardo com os pés na areia. Na areia úmida. Na beira. À beira.
A beira do mar não divide, sequer separa. A areia. Do mar.
Aguardo com os pés. A espuma chegar. Meus pés irão afundar. Mas não tocarão a espuma. A espuma só se sente vendo.
Quando a espuma do mar parece estar próxima ela desaparece.
A água, na beira, sobe, molha e volta pro mar.
E tudo está fragmentado novamente.
Aguardo a quebra.
Com calma.

A calma vem do mar.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

talvez eu esteja sendo injusta em culpar a sua música

Talvez eu esteja sendo injusta em culpar a sua música. Já que são os meus dias que estão, gradativamente, perdendo o ritmo. E, sendo assim, não há melodia que acompanhe. Viro o disco de um lado para o outro buscando uma sintonia que não. Sento-me na cadeira com o estofamento já gasto, já que meu corpo nela permanece todos os dias em suas inúmeras horas de trabalho. Inerte.

Inércia.

Então, pensando no seu trabalho, de ter produzido esse disco, em pé, provavelmente, desligo o aparelho. Na tomada. E fico em silêncio para não te culpar. Roo as unhas. Tento ler algo. Escrever, até. Qualquer linha que faça minha mente correr. Fugir desse corpo estático. Meu cérebro é carne diferente do resto de mim. Tento acreditar. Tento massageá-lo.

Não sinto nada.

Se eu pudesse me levantar dessa cadeira e pular da janela. Mas o expediente ainda não terminou. E quando terminar estarei demasiadamente cansada para me atirar.

Preciso me atirar.

Atirar todos esses discos.

Atirar a tela que suga as horas dos meus dias.

E correr.