quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

luz

É o fim de uma tarde de terça-feira, faz frio e o sol se emoldura na janela fazendo com que seus raios iluminem impiedosamente seu rosto pálido.

Você está acomodado na cadeira da sala, olhando fixamente para o piso de taco – tão antigo quanto sua blusa de lã, vermelha, grossa; se não me engano já vi seu avô vestido nela... Acho que seus olhos sequer repararam na excepcional luminosidade daqui... caso contrário, você já teria desistido de estar sentado onde está e eu provavelmente nem estaria escrevendo isso.

Suas pernas finas, cobertas por uma calça marrom de veludo cotelê, estão cruzadas, enquanto seus pés calçados apenas com meias azuis ora balançam no ar ora batem nervosos no chão. Mas você não diz nada.

Eu acompanho o seu silêncio e, assim como você seguro minha taça de vinho branco em uma das mãos. Sua outra mão está ocupada também, segurando o milésimo terceiro cigarro do dia. Eu observo as cinzas se formarem até que você note e quase que delicadamente as deixe cair no cinzeiro. Semana passada você prometeu que iria parar de fumar, penso em dizer, mas deixo pra lá. Deixo tudo em silêncio e Billie Holiday cantar.

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