segunda-feira, 25 de março de 2013

o beijo

A toalha vermelha quadriculada estava sobreposta ao verde do gramado; A garrafa de vinho, as frutas secas, o pedaço de queijo e as castanhas, sobrepostas à toalha.

Ela lia algum fluxo de consciência de Virginia Woolf enquanto aproveitava o resquício de sabor em sua boca do gole de vinho que tomara.

Os batimentos de seu coração eram um pouco mais lentos dos que o de quem espera por alguém, e que era o seu caso. Era a calma daqueles dias em que sentimos que já passamos por tudo na vida, que nada pode nos surpreender e que o que nos resta é aproveitar a tranquilidade, essa sensação.

E quando se aproximava da página final de seu livro ela chegou, sua companhia, caminhando lentamente em sua direção, carregando em seus braços uma cesta. Sem alarde agachou-se, de joelhos, afastando os cabelos dela, que estava de costas, e beijou-lhe o pescoço.

E então as duas continuaram, com a ajuda das maleáveis cores solares, aquela cena vespertina que parecia ter sido composta por algum pintor impressionista.

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