terça-feira, 23 de abril de 2013

abril

Era alguma noite no meio da semana. Uma dessas noites agradavelmente geladas de outono. Ele vestiu uma calça de sarja azul marinho, um tênis surrado, um moletom vermelho e um cachecol xadrez que há muito não saía de seu guarda-roupa. Desceu as escadas até a garagem para pegar a coleira de sua beagle, Veruska. Foram passear.

Na rua o ar era diferente; o vento que invadia o rosto era carregado de informações: o tabaco dos cachimbos dos velhinhos que jogavam cartas na praça, os jantares alheios que estavam sendo preparados, o sabão que lavava as oficinas mecânicas já fechadas e a brasa dos fornos a lenha das pizzarias que começava a esquentar.

Eles caminhavam por ruas aleatórias, em sentido diagonal, Veruska estava feliz e ele assobiava “It’s only a paper moon”. O céu estava limpo; era o mês de abril que fazia tudo ser diferente. Era o outono.

Quando se cansaram de correr e percorrer o bairro voltaram pra casa. Veruska foi se aquecer em sua casinha forrada de cobertores. E ele, o herói sobrevivente das noites quase solitárias, preparou uma xícara de chá de erva cidreira para tomar enquanto lia um conto de Nikolai Gógol.

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