domingo, 26 de maio de 2013

seria stan getz meu vizinho?


Faz uns dois anos que eu o ouvi pela primeira vez, o saxofone. Estava caminhando com minha cachorra na rua detrás da nossa casa. O som vinha de um sobrado antigo, daqueles de esquina. Eu perdi um pouco a noção do tempo. Da direção. Com a melodia. Nunca o vi, ou a vi, o, a, saxofonista. E depois dessa noite eu passei a passar na frente da casa à procura do som.

Acho que me apaixonei, até.

E até que tive sorte, pois eu sempre me deparava com aqueles solos, ali na esquina. À noite. Até que.

Passou-se um tempo e eu não mais ouvi. Insisti. Minha cachorra me puxava, apressada, em busca de caminhos diferentes para farejar. Mas eu ficava parada ali. Querendo escutar. Farejando o som.

Para onde ele foi durante a falta de sintonia não sei.

Mas ele voltou. Voltou no outono.

Voltou no outono no final da estação no final de uma tarde em que o sol mandava suas últimas linhas de luz. E nesse dia eu estava desatenta; passei lá por passar, como alguém que aprende a esquecer um antigo amor. Meus ouvidos abriram um sorriso e eu fiquei lá, ao lado da minha cachorra, em frente à casa, na direção de sua janela, ouvindo cada nota. Imaginando quem seria. Seria Stan Getz meu vizinho?

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