segunda-feira, 29 de julho de 2013

sol um deus

Saímos todos para ver o Sol. Sentir o Sol. Os raios de Sol penetrando em nossas veias já congeladas. Saímos com nossos cachorros naquele domingo último antes do almoço. Saímos apenas para sentir calor. Sentir o calor. Saímos sem relógio para sermos lembrados pelo Sol, quando desse meio dia. Abrimos os portões de nossa casa para celebrar a luz o fogo e a volta de um deus que não acreditávamos mais acreditar. O Sol chegou no dia santo que é o dia de domingo para o nosso bairro e para os nossos corações gelados.

Saímos todos para comprar o jornal dominical na banca já quase esquecida como o fogo no céu. Foi bom enxergar os telhados vermelhos iluminados, assim como os antúrios, as roseiras, as espadas de são jorge, as samambaias e arecas. Os velhos que não saíram para o dominó na praça aguardavam a macarronada sem pressa, sentados em algum degrau de seus quintais ao lado dos gatos preguiçosos, sentindo o cheiro do molho de tomates.

Poucas horas depois todos os portões estavam fechados e a temperatura de nosso sangue já em graus devidamente negativos.

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