domingo, 4 de agosto de 2013

dei um beijo na felina e fui

Uma caixa de giz pastel estava derretendo sob a luz da luminária da sua mesa da sua sala da sua casa.

Eu esperava você sair do banho. Enquanto isso olhava sem muito interesse para suas novas pinturas; naquela superfície, nas paredes e pelo chão. Todas tão. O vapor da água do chuveiro do banheiro era tamanho que chegava a invadir todos os cômodos.

Deve estar derretendo também, seu corpo. Pensei. Mas esperei. Não me levantei daquela cadeira confortável para ir até o banheiro e checar se você ainda estava vivo.

Sua gata acordou e me fez companhia. Levantei-me e juntas caminhamos lentamente até a varanda. A varanda do seu quarto da sua casa quase que abandonada. Reguei as plantas e recolhi algumas garrafas vazias. Garrafas de vinho de alguma festa a dois que fizemos, mas que eu já nem lembrava mais.

Acendi um cigarro e a partir daquele momento o tempo parou e eu pensei em tanta coisa que quando dei a última tragada já não tinha certeza se queria continuar ali te esperando. Dei um beijo na felina e fui.

E isso foi há quase um ano e eu nunca mais voltei e você.

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