sexta-feira, 27 de setembro de 2013

crônica de uma banana

Resolvi que iria tomar um sorvete na hora do almoço. Ali na Augusta. Mas não tomar um sorvete enquanto ando, olho no relógio, calculo o tempo. É sexta-feira, aliás. Todo mundo tem o direito de se dar um presente às sextas. Enquanto caminhava em direção ao meu momento, pensei comigo: nunca fui a uma sorveteria sozinha. Talvez não pareça correto. Desfrutar do gelado sem compartilhar tal prazer com alguém, oferecer uma colherada, experimentar o sabor do sorvete do outro, essas coisas. Parece nada.

E aquele momento inédito se tornou inédito duas vezes. Não tinha ninguém na sorveteria. Além de mim. Não pensei duas vezes e entrei. Me servi e sentei ali para provar um sabor de sorvete que me faria repetir. Banana.

Depois andei até a Praça Roosevelt para tomar um sol e derreter o gelo do corpo. Fiquei pensando naquele sorvete. Estava bom mesmo. Depois voltei para a realidade que estava tão agradável quanto aquele sabor: dezenas de garotos andando de skate sob os raios de luz. O céu estava lindo e eu quis ficar ali um pouco. Mais um pouco e voltei.

Enquanto escrevo isso aqui no trabalho escuto Milton Banana. E a vontade é de sair, na sombra ou no sol, e escutar esse disco tomando aquele sorvete.

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