quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

rio


Da Lagoa eu vejo tudo. Vejo tudo o que acontece em todos os lugares todos ao meu redor e as luzes de dezembro são pura festa: das janelas dos prédios, dos bares, das ruas, do Cristo. Todas as luzes batem na água que rebate em meus olhos que brilham alucinados. E a festa continua no Botafogo no botequim de paredes de azulejo e imagem de São Jorge. Salve simpatia, gente que desconheço que me abrem um sorriso do tamanho de um abraço. E na Rua Alice ainda tem um bar aberto e sobrou pra mim o último pastel de queijo, que acompanho com um dois três chopes e aquelas paredes azul pastel e a estampa da camisa e as lâmpadas amarelas me fazem acreditar que eu estou em 1970 e quando amanhece eu acordo com um beijo do Sol no meu rosto e vou e vou e vou pelo Flamengo eu sigo com água de coco me batizo e no fim dos passos, o MAM, encontro Geraldo de Barros, Ivan Serpa, Lygia Clark, viva viva. Cruzo a rua a Cinelândia o Odeon, aqui é tudo tão. Eu sigo à Lapa à escadaria de Jorge Selarón e almoço no Verdinho e tomo um café e como um mil folhas na Confeitaria Colombo, onde escuto Tom Jobim. Contemplo o centro suas cores suas casas e o teatro municipal, onde pego um táxi que me leva até Ipanema ao som de Ópera. E é no Arpoador que eu fico o resto da tarde pois pra mim não existe espetáculo maior que o das águas que batem e batem e batem nas pedras produzindo um som hipnotizante a espuma o espirro é tudo o que quero assistir e as ondas volumosas de indescritíveis formatos levam com força e paixão os surfistas que se moldam à natureza e no cair do sol conduzo meu corpo a Copacabana aos antiquários e a amizade e ao clássico português e seu bolinho de bacalhau e o corpo que depois de poucas horas de repouso segue ao Parque Lage todo iluminado todo arborizado e na beira da piscina sentamos e ouvimos música e descemos os degraus e sentamos nos degraus e falamos sobre cinema e partimos mais uma vez em busca de um som novo e algo gelado para beber e nada melhor do que o Botafogo até quase amanhecer cerveja de garrafa e Tim Maia na caixa ecoando, acenda o farol! Acho dinheiro perdido no chão e terminamos a noite num botequim tudo por conta do acaso que passou por mim e logo amanhece e logo logo mesmo é hora de voltar eu olho o mar e dá vontade de chorar porque sei que tudo aquilo não vai durar muito mais e quando entro no avião escuto Chet, “I Fall In Love Too Easily” e da janela dou adeus.

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