sexta-feira, 16 de maio de 2014

quadro desse dia

Como um pintor pré-fotografia o lado de fora que me guia.
Posso ter tempo dentro de um espaço.
Mas aí só escrevo agonia.
O céu azul de outono, as conversas que vazam dos botecos que servem almoço no balcão, a praça e o cachorro, que nesse momento brinca com uma bolinha na minha frente, são mais alegria.
Depois da escola tanta gente vem aqui pra Roosevelt. Toma um sol. Anda de skate. Senta num banco pra conversar.
E nada disso faz barulho.
E sobra espaço para pensar.
Pensar sobre o que eu posso escrever para preencher o vazio que o silêncio oferece.
Se bem que quando ele aparece.
Eu peço pra ele ficar.
Assim porque é tão raro.
Então será que eu não devo escrever?
Se bem que, quem disse que escrever é preencher?
O que penso nesse instante é que escrever é reconhecer.
Reconhecer a pausa que o tempo me oferece para estar e somente ser.
Quem reconhece observou
algo por algum tempo e pensou.
E agora antes de me levantar desse banco eu volto a olhar. Tudo ao meu redor.
Mesmo que de maneira vaga. Mas que me faça. Ao menos lembrar dos tons das cores principais.
Para que quando eu voltar para o espaço sem céu eu possa recordar. Do quadro desse dia.

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