quarta-feira, 30 de julho de 2014

renoir pintou meu dia

Sou uma péssima administradora. Eu não sei usar meu tempo de maneira adequada pelas manhãs. Eu posso acordar três horas mais cedo para tentar fazer algo que não seja um belo ensaio de me levantar da cama e mesmo assim. Estou sempre atrasada. Tão atrasada que agora só tomo meu café no trabalho. E eu adoro fazer café de coador... Mas hoje, mesmo atrasada eu fiz. Uma xícara enorme. Não deu tempo de tomar tudo mas. Chegando no centro da cidade desviei meus pés e não entrei na Avenida São Luís. Segui em frente pela Avenida Ipiranga. Tem mais sol e as curvas iluminadas do Copan mudam o ritmo dos meus passos. Atravessei a Consolação e, caminhando pela Roosevelt vi uma caçamba cheia de entulhos. Algo pulava pra fora daquele conjunto de pedregulhos. Algo apontava. Era Renoir. Era uma tela. Uma réplica de alguma obra de Renoir. Eu não parei pra olhar de perto. Aquelas cores destoantes do cinza do cimento e o movimento do meu corpo que atravessou como num leve passo bailarino aquele cenário só me fizeram acreditar na beleza. Não sobrou tempo pra duvidar ou pensar qual obra seria. Renoir estava lá e esse foi o presente do meu dia.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

nuvem

aqui nessa nuvem
que eu criei
me fechei
só pra pensar em você
eu apaguei
todas as tentativas
de escrever
o que é pensar em você
queria corda
harpa, violão
porque o que tem aqui
dentro de mim
é coração
e ele bate
num ritmo
num compasso
que só pode ser canção

terça-feira, 15 de julho de 2014

a música

a música
pras coisas urgentes existe a música
as palavras por mais que fiquem na guela, na ponta da língua, na ponta da caneta, as palavras precisam esperar
pois o presente precisa virar passado no futuro
então faço um som assim com a boca como quem quer cantar como quem quer chorar como quem quer contar um segredo como quem quer gritar
é hora do ruído
é hora do som
é hora de bater com toda força na tecla do piano o que se quer falar