quarta-feira, 30 de julho de 2014

renoir pintou meu dia

Sou uma péssima administradora. Eu não sei usar meu tempo de maneira adequada pelas manhãs. Eu posso acordar três horas mais cedo para tentar fazer algo que não seja um belo ensaio de me levantar da cama e mesmo assim. Estou sempre atrasada. Tão atrasada que agora só tomo meu café no trabalho. E eu adoro fazer café de coador... Mas hoje, mesmo atrasada eu fiz. Uma xícara enorme. Não deu tempo de tomar tudo mas. Chegando no centro da cidade desviei meus pés e não entrei na Avenida São Luís. Segui em frente pela Avenida Ipiranga. Tem mais sol e as curvas iluminadas do Copan mudam o ritmo dos meus passos. Atravessei a Consolação e, caminhando pela Roosevelt vi uma caçamba cheia de entulhos. Algo pulava pra fora daquele conjunto de pedregulhos. Algo apontava. Era Renoir. Era uma tela. Uma réplica de alguma obra de Renoir. Eu não parei pra olhar de perto. Aquelas cores destoantes do cinza do cimento e o movimento do meu corpo que atravessou como num leve passo bailarino aquele cenário só me fizeram acreditar na beleza. Não sobrou tempo pra duvidar ou pensar qual obra seria. Renoir estava lá e esse foi o presente do meu dia.

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