segunda-feira, 4 de agosto de 2014

falta tão pouco

É...
Hoje não vai dar pra. E se eu fosse eu...
Sabe, se eu me pegasse pelo braço e apertasse como que para dar um conselho a quem está à beira de.
Eu diria pra não escutar, não hoje Noel Rosa.

Já que não cabe,
vai andar.

Eu vou andar andar andar andar andar até doer e não doer mais porque o corpo já.
Eu vou andar andar andar andar em busca de um pouco de vento.
O vento leva
mas não me leva
porque não me encontrou
Eu vou andar andar porque o vento.
Eu vou andar atrás desse movimento vou andar até esquecer o que procuro.
E essa imagem decadente que eu me vejo compor
com um cigarro pendurado na boca
com uma lágrima pendurada no olho
que o vento movimento vai apagar
que o vento movimento vai secar

Ah, isso é poetizar...
Porque tudo aqui está tão seco.
E meus passos tortos caminham pros lugares que eu deveria evitar.

Alguém poderia me empurrar.

Se uma mão pousar sobre o meu ombro eu sei vou desabar.

Porque falta tão pouco.

Porque falta tão pouco pra eu chegar

ao chão.

Já que ando com o esforço de quem tenta voar.

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