quarta-feira, 3 de setembro de 2014


A noite é fria e a luz é quente.
Estamos altas e a luz é baixa.
Nós só estamos começando... algo. 
E a luz ameaça apagar. Flamejante ela oscila nos convidando a partir,
já.
Nós só estamos começando... a enxergar no escuro.
Eles arrastam as cadeiras do bar. Eles as empilham. 
Eles retiram as garrafas das mesas. Os copos e os restos de noite.
Continuamos no escuro porque o jazz ainda não acabou.
Nós só estamos começando... algo.
Nossas mãos se procuram.
Nossos dedos formam laços.
Um solo preguiçoso de trompete anuncia o fim.
Então te beijo na rua.
Um beijo de quem não quer partir.
Um beijo de quem não tem lugar
No coração da cidade que ameaça desligar.

Nenhum comentário:

Postar um comentário