terça-feira, 2 de setembro de 2014

quantos dentes cabem numa boca

Um novo mês despertou às sete e meia da manhã.
Descalça pisei no chão - primeiro com o pé direito.
Calcei meias novas. Meio lilás, sei lá a cor.
Parece medo de errar, até.
E o dia passa e no final do dia
a meia lua aparece e você escuta a música errada e todas aquelas promessas desses novos trinta dias vão embora pelo ralo, no sono leve da madrugada.
E já não sei com que pé acordo no dia dois e já desisto de acertar.
Passo na papelaria pra comprar um envelope porque penso em transcrever aquela carta imaginária que fiz pra você numa noite de insônia mas que a lua era cheia.
Três envelopes, peço eu, de novo com medo de errar.
Escrever seu nome com a letra feia ou.
E peço duas canetas.
Pra passar o cartão ainda falta mais um real.
Três canetas, então. Três envelopes.
Um amor, só.
E com essa bic azul nova termino meu caderno nesse começo de mês que virou o fim de alguma coisa.
Eu pensei que ia te ver
e que quando isso acontecesse eu fosse sorrir.
Mas eu tenho a certeza de que até o final do dia
todos os meus dentes vão cair.
Vou colocá-los num envelope.

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