segunda-feira, 29 de setembro de 2014

tornar


Pode deixar que eu tô...

que eu tô indo embora.


Esse é o meu último dia aqui

Nessa sombrinha eu termino meu cigarro,

porque depois eu vou andar e não sei não faço ideia

a hora que vou chegar no fim do caminho.


Vou levar uma dessas flores comigo

Porque esse adeus é contemplação

Meu coração sabe que não

Tem motivo pra.


A sorte que eu tirei

Me trouxe você, até.

A sorte é vento que vai e vem.

Eu posso até guardar comigo o momento que cruzamos nossos dedos e formamos um laço.

Mas um laço não pode amarrar.

Então te solto.

Vou arejar.

Abrir o caminho

Pra que a calmaria não tarde a chegar.

Pode deixar que eu tô...

levando comigo isso que

apesar de não caber em mim...

Eu tô

levando numa sacola.

Talvez eu deixe cair no caminho ou perca a força pra carregar.

Talvez todas essas lágrimas tornem tinta e pintem o asfalto da estrada.

Talvez evaporem. Ou virem água do mar.

Quem sabe eu nem olhe pra trás.

Nenhum comentário:

Postar um comentário