domingo, 26 de outubro de 2014

porque parece que é isso que se faz quando se tem o coração partido

Nos despedimos de estranhos com abraços e promessas de reencontro e entramos no seu carro. Abraços em corpos amortecidos que não conseguem mais segurar um copo na mão ou conter os músculos do rosto pra evitar um sorriso. Era uma noite quente de sábado e de festa... e entramos no seu carro e você acendeu um cigarro, ligou o som e disse escuta essa música aqui e me diz o que acha.
Eu disse que aquela música era simplesmente o que qualquer pessoa quer ouvir de alguém nessa vida.
Um afago. Tranquilidade e amor.
Aquela música era o máximo porque me pareceu ser a única do universo que conseguia falar de tranquilidade e amor simultaneamente sem parecer uma mentira, mesmo que uma mentira ingênua, como o abraço que demos nos nossos amigos de uma noite só.
Você deu a partida e eu peguei um cigarro também, porque parece que é isso que se faz quando se tem o coração partido. E falei da sorte que você tem em ganhar essa música desse seu amor que parece ser o amor da sua vida.
E no caminho te falei da dor que é perder o amor que se acha que é aquele que um dia vai gravar uma fita pra você com uma música dessas.
E no caminho eu chorei porque toda vez que eu digo o nome dela um dos pontos que eu mesma costurei estoura e o sangue...
Acho que amei só mais um estranho.

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