quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

ainda se lembram de charlie parker

e é isso. o sol bate e rebate nos carros e no meu rosto e nas caixas de frutas lá pelas dez e pouco da manhã porque agora eu aprendi a acordar cedo novamente. é. agora eu aprendi a tomar o meu café fora de casa antes de começar a escrever. até escrevo fora de casa, da minha mesa, da minha máquina, sem o gato e o rádio. o que tem sido bom para a ficção que eu penso fazer. e é. eu desço as escadas amareladas do prédio e caminho até o outro lado da esquina sempre com os olhos desprotegidos dos raios de luz porque já tenho usado os meu óculos graduados a todo momento e então ali, o toldo verde escuro produz sombra. tem dias que me acomodo do lado de fora, quando deixam algum jornal na mesa, não sempre. não assino mais jornal. tiro a mão esquerda do bolso e empurro a porta de madeira pesada. me sento voltado para um dos lados da mesa e estico as pernas e puxo as calças para cima fazendo com as as barras encurtem e minhas meias apareçam. virou mania. e você sabe, minha única vaidade são as meias. meias coloridas. gosto de deixar minhas meias à vista. comecei pedindo espresso, depois mudei pro café de coador, agora tenho tomado até com leite. tenho fumado menos também. minha barba continua a crescer e vejo que pelo menos nesse outono estou gostando de envelhecer. a velha arquitetura e o outono sempre combinaram e agora me vejo parte disso, um pouco. por aqui decoraram o meu nome. disseram que eu iria piorar que decidiria ficar duma vez em casa e contatar a vida via telefone.ainda não virei esse personagem. ainda vejo personagens fora desse mundo que. e outro dia até saí para ouvir um saxofonista que me convidou para um concerto depois de uma conversa sobre, ah você sabe. ainda se lembram de charlie parker e isso me faz. escrever.

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