sexta-feira, 20 de março de 2015

vento do outono

Anotei no meu caderno que partiria quando o outono chegasse.
Para onde for iria.
O Lada Laika. A jaqueta jeans com lã de carneiro. Tudo o que ela deixou comigo. Tudo o que eu usaria para me locomover.

O vento do outono vai me levar daqui.


Coloquei o caderno no porta-luvas e fui atrás de tudo o que é maior que eu.
A estrada o céu estrelado os eucaliptos as montanhas.
A voz de Bill Callahan o neon dos hotéis o rio as pedras.
Tomei café nas beiras das estradas e falei com estranhos e aprendi a ler mapas e dirigir no escuro.
Pra não dizer que não. Lembrei de você. Sentei sempre que pude no balcão dos bares. Lembra que você falava que quando se senta no balcão vive melhor o lugar?
Foi o que concluí.
Nesses dias. Levei, já disse, o caderno comigo, mas só escrevo agora. Nesse início de inverno na casa que pensei que abandonaria para sempre. Voltei para preparar essa xícara de chá com mel e limão que tomo enquanto

Nenhum comentário:

Postar um comentário