segunda-feira, 1 de junho de 2015

trovão

A neblina que se via da janela do quarto na manhã de domingo. Era neblina?
Era domingo de manhã e seu coração ainda batia. Ela pulsava demais para matar mais um dia.
Queria morrer porque não podia gritar. Se bem que, de que vale viver se não pra.
Queria sair da cidade, ir para o espaço sideral só para o nó das cordas vocais. Desatar.
E depois de pensar.
E muito pesar.
Decidiu ir ao cinema porque
lá é o melhor lugar para chorar.
Colocou o relógio no pulso, calçou seu par de botas velhas, pegou as chaves, seu paletó azul marinho e saiu, porém não antes de enfiar o livro do Faulkner debaixo do braço, assim como a bíblia sagrada usada nos passeios dominicais. Andou em passos largos até onde o corpo podia suportar numa tentativa de exorcizar aquela fúria nem que fosse.
E falando no diabo a igreja do bairro estava cheia. Morre mais um velho e o mundo gira gira gira e a repetição causa uma náusea que não tem cura e no vagão vazio do metrô sentou e leu algumas páginas e na bilheteria também vazia pediu seu filme e foi pro café que estava cheio.

Maldição foi bem aqui e hoje faz um ano que dividimos um cigarro antes da sessão

Contrariando o resto do corpo seus olhos buscavam o ponto de virada daquele dia.
Porque a vida aos domingos também é cinema.

Não nesse dia em que nem aquele filme melancolia.

Caía chuva do céu quando a película queimou
e ela virou trovão.

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