domingo, 21 de fevereiro de 2016

e as luzes que oscilam

esse som quebrado em que o pianista parece correr lado a lado por todas as teclas possíveis dentro de um compasso e o trompetista bipolar berra pouco antes do prato atacar para depois se lamentar.

era um quinteto mas não vou detalhar
uma pena não poder ouvir ao vivo um dia
mas nem dá pra reclamar

já que como o jazz me movo sem parar

dentro de um ônibus que mesmo não espacial já me tirou de onde eu não queria estar
e não sei em qual cidade estou, mas vejo estrelas e letreiros de motéis em neon que raramente acendem inteiros me deixando imaginar assim tantas outras palavras
partir é estar em outro lugar mesmo que na transição da rodovia para o mar
e a música e a constelação e as luzes que oscilam não me dão motivos para fechar os olhos
logo eu pego um café preto na estrada
como é bom viajar

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