quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

marcador/mar/marca/dor

ela me deu um marcador.
naquela noite de inverno no trem em que eu carregava um livro antigo da biblioteca do meu avô.
trabalhadores do mar, de victor hugo. capa azul marinho e marcador em fita de cetim da mesma cor.
sendo assim perdi o marcador. que ela estendeu enquanto olhava pra mim e seguia pelo corredor.
com o seu número de telefone.
eu não gosto de telefone, mas se soubesse que seria a última vez que a veria. discaria. guardaria melhor aquela tira de papel que, por timidez deixei de observar os detalhes da estampa impressa e coloquei dentro do chapéu que segurava no colo. eram flores e eu acho que petúnias. só lembro do seu nome escrito em letra cursiva com caneta esferográfica de tinta preta.
desembarquei uma estação antes e acenei por movimento de rotina.

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