domingo, 20 de março de 2016

calma iria

tinha o tapete o piano e aquele jogo de xícaras de porcelana e uma janela que se estendia por toda a sala. seus braços se estendiam pelas teclas e então liszt.
eu amava te escutar sentada na poltrona, sonolenta ou com um livro na mão ou os dois. eu amava o chá que você preparava com a hortelã do seu jardim. aquele cheiro me fazia lembrar a hortinha do me avô.
eu amava não saber qual era o dia da semana quando estava ali de meias ou descalça no verão. só não era mais calmaria porque meu coração.

você era calmaria e iria. porque a calma vai

a calma não tem poltrona para se acomodar

então procuro por ela

porque eu amaria ter mais um pouco de algo tão imprevisível

não sei o que é calma

e eu insisti tanto pra você gravar uma fita com aquela música

e agora que ela está aqui num canto da estante ela é algo tão desinteressante quanto o que se deixa

num canto da estante

e eu não escutei e não quero escutar

eu sei que nunca vou acordar sentindo falta daquela janela e colocar sua música pra tocar

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